quarta-feira, 6 de dezembro de 2023
Relato de Experiência do Estágio Supervisionado III
As aulas de estágio supervisionado III foram trabalhadas pela professora Rubra, as aulas tiveram início em agosto, ficando dividida por orientação em sala com criação de planos e projetos, em setembro trabalhamos a oficina na escola com a temática amor, em novembro trabalharíamos a prática de análise linguística com gramática e por fim, encerramos com breve relatório e participação dos estagiários em um seminário de estágio de todos os cursos do campus. Nas aulas iniciais a professora fez abordagens sobre a Declaração universal dos direitos humanos de 1948, sobre o Eca, ditadura militar e a constituição, por meio desses documentos abordados ela nos solicitou que pensássemos em uma aula que comtemplasse o campo jornalístico midiático e assim foi feito e discutido em sala. Em todas suas aulas tivemos práticas de dinâmicas que estimulasse nosso bom convívio, e também dinâmicas voltadas para nossa prática em sala de aula que contribuíram muito com nosso desempenho como professora, ainda mais nos mostrando que é possível trabalhar a gramática normativa com dinâmicas, isso me encantou.
Antes de irmos para a escola fizemos alguns planos de aula, envolvendo a canção como a Cuitelinho, a comovente história do Nós Mudemo, que me mostrou como é importante e decisivo a posição do professor em uma sala de aula. A professora Rubra, ainda nos mostrou o quanto é importante conhecermos os nossos alunos, pois sempre vai ter aquele que é auditivo, visuais e os sinestésicos, então eu enquanto professora devo planejar minha aula de modo que atenda todos esses alunos. Após todas essas análises, produções e muitas conversas, fomos planejar e organizar nosso conteúdo para a ministração da oficina.
A turma foi dividida em grupos, um com o gênero poema, outro com a literatura indígena e outro grupo com gênero letra de música, a professora nos deu orientações para as regências e ficou determinado que todos deveriam ir assistir a oficina de outro grupo e assim fiz. Assisti a oficina sobre literatura indígena na escola Dom Pedro II, para isso foram levadas duas turmas do nono ano, foi muito interessante, pois meus colegas conseguiram desmistificar a questão que muitos acham que o indígena é como se fosse um outro ser e também explicou o porquê de nos referir a eles como indígena e não índio e os alunos ficaram muito entusiasmados com a temática. Nessa observação ainda pude contribuir ajudando a passar os slides e organizando a sala, além disso, tivemos apresentação de dança e pinturas feita por nossos colegas indígenas e foi um sucesso com todos os alunos e professores.
Antes de iniciarmos a regência, primeiro fizemos observações de sete aulas do professor regente. Nessas observações pude perceber que mesmo havendo turma mais agitadas ele já sabia controlar seus alunos. Algo que me chamou a atenção nas observações foi a boa relação que o professor tem com os alunos e seus alunos têm muito respeito e carinho por ele também, sabiam a hora de brincar e a hora de falar sério, o professor regente é para os alunos um professor amigo. Em suas aulas ele buscava sempre conciliar datas com os educandos, buscando o melhor para todos. Ao finalizar as observações e a organização do projeto de oficina, foi dado início a nossa oficina.
O nosso grupo ficou com a oficina que teve a temática amor, ministramos a oficina na Escola Pedro Ludovico, localizada no setor planalto. Ficamos com a turma do terceiro ano do ensino médio vespertino, antes da nossa ida para a escola reger, tivemos que passar pelo processo de escrita do plano de aula e reescrita pela orientação da professora Rubra. Trouxemos a música “É o amor” de Zezé de Camargo e Luciano, juntamente com os poemas, “Meu destino” de Cora Carolina e “As sem-razões do amor” de Carlos Drummond de Andrade, enfatizando a temática amor em seus diversos momentos. Com a música buscamos deles a identificação e interpretação das estrofes e vendo o que eles entendiam sobre o amor, tivemos muitas participações e comentários profundos e interessantes.
No segundo momento, dispomos livros de variados autores romancistas em cima de uma mesa no meio sala, para uma penúltima atividade. Com os poemas, foi solicitado a leitura voluntária em voz alta e depois foi feita a análise desses poemas buscando a interpretação real de cada estrofe, ao final, meus colegas Pamela e Samuel fizeram leitura de poemas de sua autoria, vimos nessa ação a oportunidade de incentivar eles a escreverem. Como atividade propomos a escrita de uma estrofe ou verso de um poema com a temática trabalhada, ficamos surpresos com as criações, ficaram impecáveis e eles não tiveram medo de expor seus sentimentos ou opção de relacionamento em seu poema. A turma era muito colaborativa e participativa, contribuindo com o bom desenvolvimento do projeto, sei que por mais que planejamos e organizamos sempre fica algo a ser melhorado e percebi que podíamos ter elaborado mais momentos de dinâmicas, pois passamos o período da tarde com eles. Acredito que foi muito válido mesmo assim nosso momento com os alunos e que precisamos realmente reconhecer o nosso desempenho para poder melhorarmos.
Tenho dois livros que me despertaram uma inquietação e desejo de lutar contra o preconceito linguístico em minhas aulas que é “A língua de Eulália de Marcos Bagno” e o triste caso de “Nós Mudemo”, foram obras que contribuíram bastante para entender o quão importante é o posicionamento do professor nessa situação e também entender a tamanha importância que é desconstruir esse preconceito linguístico. E graças as ótimas professoras que tive na minha formação, sei que estou preparada e pronta para encarar esse exercício.
O exemplo do Nós mudemo, é um retrato quase fiel do exercício da nossa profissão, pois cada ato e palavra determina o futuro do educando, a vida do Nós mudemo foi determinada a partir do momento em que a professora não soube conduzir perante a situação fazendo com que o aluno que veio de zona rural entendesse que aquele lugar não era para ele. Então, ciente da tamanha obrigação e responsabilidade de educadora, devo me policiar ao máximo para não ser uma professora que destrói sonhos e possibilidades.
Outro fator que também acredito estar preparada mesmo não dominando toda as regras gramaticais, é o ensino da gramática em sala de aula. Durante a graduação tive aulas de análise linguística e também muita orientação da professora Rubra e Ângela para ensinar as regras gramaticais sem ser tão tradicional, pesada e as vezes incompreensíveis para os alunos. A análise linguística possibilita esse ensino moderado, e com as orientações e sugestões das dinâmicas que podemos trabalhar em sala, contribui muito para conseguir efetivar esse conteúdo de modo com que ele realmente fica claro, possibilitando o aprendizado. Será um trabalho duro, pois o corpo docente das unidades exige o seguimento do livro didático, é difícil para um recém contratado que precisa da vaga de emprego, mas não podemos deixar esse medo tomar de conta, afinal estamos trabalhando com vidas.
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